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18 de dezembro
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17 de dezembro
EA EA!
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16 de dezembro
gráfico de Paticca Samuppāda, retirado do livro a manual of abhidhamma, de narada maha tera
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11 de dezembro
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6 de dezembro
Yo vengo militando desde hace años en favor de lo que he llamado, en parte por provocación, en parte por autodefensa, “literatura mala”. Ahí pongo todas mis esperanzas, como otros las ponen en la juventud, o en la democracia; ahí me precipito, con un entusiasmo que las decepciones, por definición, no hacen más que atizar: al fondo de la literatura mala, para encontrar la buena, o la nueva, o la buena nueva. (…) Lo malo, definido de nuevo, es lo que no obedece a los cánones establecidos de lo bueno, es decir a los cánones a secas; porque no hay un canon de lo fallido. Lo malo es lo que alcanza el objetivo, inalcanzable para todo lo demás,de esquivar la academia, cualquier academia, hasta la que está formándose en nosotros mismos mientras escribimos. Por ejemplo cuando nos sentimos satisfechos por el trabajo bien hecho (horrenda complacencia, a la que deberíamos resistirnos con el grito de guerra de Rimbaud: ¡nunca trabajaré!). La literatura del futuro se alza en nosotros, un alcázar de oro, el espejismo de los espejismos. Qué error pensarla “buena”. Si es buena no puede ser futura. Lo bueno es lo que dio tiempo a ser juzgado, y caducó en el momento en que se lo dio por bueno. Es el turno de otra cosa, a la que por simple oposición podemos llamar “lo malo”. Y es urgente. Es preciso poner manos a la obra ya mismo, a riesgo de quedar sepultados por la acumulación de lo bueno. (…) Debemos salir a la busca de lo monstruoso, lo que nos aterre y repugne, y se nos escapa siempre, porque es multiforme, mutante, inasible, inconcebible. Si debemos buscarlo, y persistir en la busca, es porque no lo encontraremos nunca. A lo nuevo no se lo busca: se lo ha encontrado. Buscamos lo malo, y encontramos lo nuevo. (…) El arte del artista es la transmutación de los valores. No amamos al artista que hace bien su trabajo: a él en todo caso podemos admirarlo, con esa admiración helada tan parecida a la indiferencia o al desprecio. ¿De qué sirve eso? ¡Hay tanto arte bueno ya! No nos alcanza la vida para enterarnos. Amamos al otro, al creador de una calidad imprevista.Amamos lo nuevo. ¿Por qué? Quién sabe. Será porque somos modernos, o postmodernos, o budistas,o marxistas. Porque somos gente práctica, con prisa por llegar a la realidad, por dar el salto.
La innovación, César Aira (14 de mayo de 1993)
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29 de novembro
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24 de novembro
“Se toda a vida complexa de muita gente se desenrola inconscientemente, então é como se esta vida não tivesse sido.”
O ato de percepção em arte é um fim em si mesmo e deve ser prolongado; a arte é um meio de experimentar o devir do objeto, o que é já “passado” não importa para a arte.
Chklosvki, V. “A arte como procedimento”, in Teoria da Literatura – formalistas russos. Porto Alegre: Globo, 1973
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23 de novembro
Há menos de um mês cortei profundo com uma lata de sardinha a pele entre indicador e polegar.
Sem simbolismo: cicatrizou assim de hoje eu não saber em qual mão foi.
Parece até que não foi.
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21 de novembro
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15 de novembro
Não tenhas medo da palavra amor.
Não, não tenho medo.
Levy, Tatiana Salem. A chave de casa Rio de Janeiro: Record, 2007
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5 de novembro
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27 de outubro
ponha o coração, minha filha. que se não for de coração.
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27 de setembro
Todo homem sentiu-se em certos momentos igual a um deus. (…) Mas isto acontece por ter sentido, num clarão, a surpreendente grandeza do espírito humano.
Camus, Albert.O Mito de Sísifo. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2007
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24 de setembro
quarta lerei fragmentos do romance em buenos aires; se estiverem pela área, segue o convite do evento.
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11 de julho
Vamos combinar: processo é o que no meio o que motiva ou desmotiva. Não cair. Existem princípios básicos da exposição, a-z) não cair. Kafka, sonho. Baratas e também que esfaqueada, não se morre, caio do morro da urca, não se morre. Quando não sonho, preciso de roupa senão obrigada a ficar em casa. Aira abandona, procedimento: implodir com um grupo de faxineiras resta tudo tão limpo que nunca existiu. Aos faxineiros pagaria para que visitassem minha cabeça organizassem aqui tralalá aqui trelelé. Não sei se em sonho a ladainha dos corpos que se perdem noutros corpos, a ladainha tem toda a importância, o analista e a tecla da identidade. Você fala como se as coisas simplesmente acontecessem não as dirigisse. Hoje dirijo: ajeitar a carta ao Dr. O.C. (por causa dela, Diogo me adjetivou ótima); o primeiro capítulo do livro enviar à Dani; estudar teoria dos conjuntos; reler as listas; aproveito para atualizar: são sessenta linhas no plano 1 (as coisas da vida), e 1440 no plano 2 (o principal?), veja como sou exatinha. Considerar o mote (Aqui porque não em outro lugar), frase-tema (Prevê não terá sorte – ?), denominadores comuns e os perdidos das listas. Que mais? Arrumar o quarto; comprar pastas; pagar cartão de crédito; yoga; dormir cedo? Dúvida: se combinarmos processo é o que está no meio, ainda me servem os leões?
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10 de julho

In so many different ways, the noble vocation of sowing hostile land
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8 de julho
Monterroso, Augusto. Cuentos Madrid: Alianza Editorial. Quinta reimpresión, 2008.
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3 de julho
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2 de julho
Prezado Professor Dr. O.C.,
Caberá justificar, antes de convidá-lo à viagem que anima estas linhas – e sugiro de antemão que o senhor dispense o constrangimento de, frente ao primeiro quebra-mola, apropriar-se do termo “viagem” como gíria que estigmatiza perturbação ou incompetência – o porquê de não elaborar trabalho protocolar, apadrinhada pelos manuais de boa redação – sobretudo hospedada em ambiente acadêmico e dispondo da enésima edição do reverendíssimo Como se faz uma tese, do Umberto Eco. Acontece que a noção de bom texto restringe o prazer da criação daquele que, por inaptidão para outras perspectivas, persiste “escritor”. Gostaria de ampliar o problema – os problemas serão ampliados evitando, não arrisco abolindo, o recurso bem-sucedido dos parágrafos, das notas e citações (capricho estilístico ou idiossincrasia, como preferir) –, a fim de que a infração não se deduza motim de classe. Isto é, que o fato de não secionar o meu paper em título, resumo, introdução, metodologia, desenvolvimento, resultados, conclusão, apêndices e bibliografia não se afigure birra de nicho artista. Porque, justo aí, confrontamos impasse um: confinar a criação ao ato artístico. Criar não se limita à arte: todos sabemos, e foi o que me salientou a Rosana – que minha inquietação carregava barba e cajado –, indicando-me, entre outros, Fayga Ostrower para que, ao redigir textos como este, enunciasse a companhia dos meus argumentos de autoridade. Afinal, se contamos com os manuais de bons modos, também nos auxiliam em menor número os soldados da rebeldia. Dessa maneira, quem se embrenha pelo mundo da composição (artística/acadêmica/∞), em outras palavras: admite a possibilidade de preencher o invólucro em que se encavernou; em outras palavras: assume o leme de sua vida (a vida não é assim – seja lá qual vida for, seja lá a qual assim nos referirmos); esse quem citado costuma ter margem de escolha ao alcance. Escolho uma carta, e, apesar da recíproca improvável, gostaria de que ela fosse a primeira de algumas. Acredite o senhor: escolhi uma carta – e intenciono agregá-la à minha dissertação de mestrado (que, como en passant comentei ao me inscrever na sua matéria, é um romance) –, apostando-a como primeira de algumas, mesmo ciente de sua indisposição de deslocamento (por exemplo, ao percurso diversas vezes mencionado em sala de aula: Gávea → Niterói), e do cansaço para lidar com alunos inábeis em matemática. Recordo-me de uma ou duas vezes em que o senhor se referiu a espécies como essa, cuja dificuldade lógica lhe exigia tamanho esmero de explicação a ponto de confeccionar desenhos, e enquadro-me como um desses párias, um Kaspar Hauser sem glamour. Qualifico-me como um desses aleijados de lógica – ainda que determinadas prisões de caráter, os adjetivos, me atrofiem o corpo –, e inclusive somei ao meu quadro de remédios – dos quais definitivamente não sou fã –, dosagem diária de Ritalina, objetivando aumentar a concentração para as contas com o mundo externo, e não às pontadas no peito que batizam poeticamente angústia. Cabe justificar. Escolhi uma carta porque tenho perguntas, e por mais tolas no campo em que o senhor atua, adquiriram importância central para mim, para o romance – existisse diferença entre mim e o romance. Uma carta para colocar algumas questões – e, fazendo uso do verbo colocar, aproximo-me teatralmente de muitos palestrantes, ou daqueles que se empapam para discursar em público, embalando suas oratórias com o pretexto de não desejarem “resolver problemas”, e sim levantar questões. Dizem algo como: estarei satisfeito se o meu texto instigar/cutucar/estimular (etc. etc.) vocês. Sim, algo como, e aludem às perguntas no final (“poderemos discutir sobre isso no final”), e é no final quando finalmente sentem-se à vontade para chafurdar no cemitério das leis cultivadas em sua história de vida. No caso, as questões às quais me refiro nesta carta não fundam teoria, nem escorregam para o quebra-cabeça da verdade, e se as “coloco” é porque necessito de resposta. Uma perda de tempo – o senhor conclui provavelmente com razão – não tê-las resolvido desde o início do semestre, questões tão bobas, tê-las guardado para este momento, em vez de já lhe apresentar um resultado, ora ora, ao menos uma tentativa! Acredito – e sem sombra de dúvida muitas das crenças se alicerçam na ilogicidade – sobre essas questões: 1) não saberia explicar, da forma como pretendo explicar, do que se tratam sem que o senhor me impedisse de seguir frequentando as aulas 2) não saberia explicar, da forma como pretendo explicar, do que se tratam sem que parecessem levianas 3) não saberia explicar, da forma como pretendo explicar, do que se tratam sem que, diante da leviandade das questões, e da forma como o senhor reagiria, me sentisse sensibilizada a ponto de. Chorar? Soa um pouco over, entretanto não destituído de verdade. Resumo: escolhi uma carta porque até o final não sabia se conseguiria solucionar o que é bobo tolo leviano sozinha, e na esperança de que ao menos a carta fosse respondida. Existem algumas histórias que nada têm de extraordinário – ao contrário da que acabo de ler no jornal da ascensorista –, para simbolizar a ausência de troca. Uma dessas que nada têm de extraordinário seria Sicrano no vazio, um vazio desses que ao nosso redor não existe porque normalmente os vazios se locupletam de geometrias; Sicrano no vazio dispõe apenas de um balde com bolinhas de ping pong e uma raquete; permanece dias arremessando as bolas para o vazio, as bolas seguem até determinado ponto e desaparecem, devoradas pelo negro; Sicrano dispõe de uma raquete, utilizada para lançar as bolas, uma por uma, mas o balde jamais se esvazia e as bolas permanecem em igual quantidade. Pergunto a uma amiga o que ela faria, a resposta: tacaria o balde com todas as bolas para o vazio, permaneceria com a raquete e me bateria me bateria me bateria.
(…)
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1 de julho
O que assim se oferece ao público é o grande espetáculo da Dor, da Derrota, e da Justiça. O catch apresenta a dor do homem com todo o exagero das máscaras trágicas — o lutador que sofre sob o efeito de um golpe considerado cruel (um braço torcido, uma perna esmagada) ostenta a expressão excessiva do sofrimento; mostra o rosto exageradamente deformado por uma angústia intolerável, tal como uma Pietà primitiva. Compreende-se perfeitamente que no catch o pudor esteja deslocado, visto que é contrário à ostentação voluntária do espetáculo, a essa Exposição da Dor que é a própria finalidade do combate. Deste modo, todos os atos geradores de sofrimento são particularmente espetaculares, como um gesto de um prestidigitador que mostre o seu jogo sem disfarce: não se compreenderia uma dor que aparecesse sem causa inteligível; um gesto secreto, efetivamente cruel, transgrediria as leias não escritas do catch, e não teria nenhuma eficácia sociológica, tal como um gesto louco ou parasita. Aqui, pelo contrário, o sofrimento é infligido com limpidez e convicção, pois é preciso que todo mundo constate não só que o homem sofre, mas ainda, e sobretudo, compreenda por que sofre. Aquilo a que os lutadores chamam uma “chave”, isto é, uma figura qualquer que faz com que o lutador permaneça indefinidamente imobilizado e à mercê do adversário, tem precisamente como função preparar o espetáculo do sofrimento, de um modo convencional, portanto inteligível, e instalar metodicamente as condições do sofrimento: a inércia do vencido permite que o vencedor (momentâneo) se instale na sua crueldade e transmita ao público essa preguiça aterradora, típica do torturador seguro da execução progressiva dos seus gestos. O catch é o único esporte que oferece uma imagem inteiramente exterior da tortura: esfregar violentamente o focinho do adversário impotente ou percorrer-lhe a coluna vertebral com um punho áspero, profundo e regular, executar pelo menos a superfície visual destes gestos.
Barthes, Roland. Mitologias Rio de Janeiro: Difel, 2003.
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29 de junho
Foi a Rosana já contei ensinou quando envolvidos em um projeto tudo nos remete. Eu gostaria. De sentido para escrever aqui porque se não é aqui o candeia de vento, meus cotos ficaram para trás; uma porção de gente distingue o que ficou para trás e o que há pela frente. Talvez eu volte ao candeia o ressuscite, entendo de coragem mas me pergunte daqui a cinco minutos. Para a Paola a Rosana pensa perto do coração. Para a Sophia, Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.//Mal de te amar neste lugar de imperfeição/Onde tudo nos quebra e emudece/Onde tudo nos mente e nos separa.
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23 de março
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22 de março
Vamos aos números:
Plano 1
12 por 4.
4×30/4×28/4×31
Plano 2
12 partes por 1 x 2
2 x 1 de 5 (2 pentagramas)
pentagramas de 12 notas centrais, cada qual com altura 10.
12 notas com altura 10 gerando periféricas de diferentes alturas através de pa em 24 e pg em 7
análise combinatória do produto
subtração até chegar à união das famílias de notas
composição
problemas:
. escolha das notas
. alocação das 12 notas no plano 1 (número de repetições e funções que exercem)
. as demais notas (periféricas) aparecem no plano 1?
. altura (definir se critério será metrificação)
. o vídeo é um conjunto à parte?
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)
22 de fevereiro
excluídos do quarto parágrafo do capítulo 1 (ordem: quantidade de palavras)
Agora
Coincidência
Peça
Exemplos de
Jogos com
Ninguém muda ninguém
Para convencê-los diga
Que poderá ser
Ter sido apenas
Não importa quem disse a frase
Um personagem que viveu a situação
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)
21 de fevereiro
excluídos do segundo parágrafo do capítulo 1 (ordem: quantidade de palavras)
Atravessadas
Lembra
Daquela droga
Eram companheiros
Sem planejamento
Um ponteiro
Concebido por acidente
Consiste numa roda
Encarando-o de longe
Não se deseja
Para dar certo
Suponhamos um trio
Verdade ou Consequência
A vida é assim
A inércia do desejo
E você está confinado
Espere para se restabelecer
Há genéricos do jogo
Não avisaram nunca avisaram
Não vão te agredir
O ponto é que
O problema era que
Verdade consequência ou situação
As coisas são como são
Mas para ganhar precisaria atingir
Isso não se dispensa por solidariedade
O exército do adversário se fortalecendo
Quem somos nós para nos opor
O ponto é se vive para não morrer
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)
17 de fevereiro
excluídos do primeiro parágrafo do capítulo 1 (ordem: quantidade de palavras)
Bailarinas
Começarem a
E aprendemos
Fazia sentir
Foi então
Despregam o corpo
Falávamos sobre sonhos
Não queria viver
Para chegar ali
Vamos fazer assim
É possível de fato encontrar
Falar da mente das nossas
E se nos empanturrarmos hoje
Este homem e esta mulher
Com o papel escrevêramos alguma coisa
Há falhas nessa declaração censura preconceitos
Quando não havia preocupação com a delicadeza
Numa dessas noites em que carro moto afogados pela chuva
Piscar de olhos endereço luz vermelha já se formava um quarteto
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)
7 de fevereiro
E o que diabos isso tem a ver com o processo criativo do livro, vocês me perguntam.
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)
21 de janeiro
Os budistas explicam que a consciência deludida opera a partir de seis padrões emocionais básicos, que na Roda da Vida são simbolizados por seis reinos. (…) O primeiro poço da experiência cíclica, ou Roda da Vida, é o reino dos deuses, no qual o sentimento de orgulho se estabelece como base. Os deuses não precisam fazer esforço para serem amados, são sustentados pela energia operativa dos seres de outros reinos e se tornam inconscientemente vaidosos de suas qualidades. Por estarem cercados de muito conforto, acabam distraídos e sem nenhuma vontade de sair do poço à procura do mar; afinal, apesar de deludidos, apreciam as boas qualidades e a beleza de seu reino. (…) A seguir vem o poço dos seres invejosos, ou o reino dos deuses invejosos, os asuras. Apesar de possuírem um grande arsenal e muito poder, sofrem por não possuírem tantas facilidades quanto os deuses. Dominados pela inveja, terminam por atacar seus poderosos vizinhos sem sucesso, o que faz com que sua sensação de negatividade e impotência aumente, criando um círculo repetitivo alimentado pela energia da inveja e da competitividade. Na sequência surge o reino humano, fundamentado no desejo e no apego. Nós, os seres desse reino, estamos sempre querendo alguma coisa em termos de facilidade ou conforto como meio de atingir a felicidade. (…) Por sorte, quando agimos tão distraidamente, dukkha, ou a frustração das nossas esperanças e planos, manifesta-se, e, nem que seja por um breve instante, entendemos que aquilo que nos esforçamos para atingir não trouxe nenhuma satisfação estável ou genuína. Nossos pertences se extraviaram, apodreceram, desfizeram-se diante dos nossos olhos.(…) Mas dali a pouco nos distraímos novamente correndo atrás de outra novidade, e seguimos fazendo esforços. (…) Abaixo dos reinos dos deuses, dos deuses invejosos e dos humanos, encontram-se os reinos inferiores. O primeiro desses é o reino dos animais, onde as emoções perturbadoras são a preguiça ou torpor. Há bastante agressividade nesse reino, boa parte dos animais alimentam-se uns dos outros ou disputam territórios. (…) O segundo reino inferior é o reino dos fantasmas famintos. Os seres desse reino possuem uma barriga enorme e sempre vazia, enquanto sua boca e seu pescoço são tão estreitos que não permitem a passagem de quase nenhum alimento. Por não possuírem força nas pernas e braços, esses seres arrastam-se à procura de água e comida. Quando encontram alimento e o ingerem, esse alimento é tóxico e ardente, queimando suas gargantas. (…) Por fim, chega-se ao reino dos infernos, no qual a duração da vida é muito longa. As emoções negativas dominantes nesse reino são a raiva e o medo. Invariavelmente, os seres nessa paisagem estão atacando ou se defendendo.
Samten, Padma. A roda da vida como caminho para a lucidez. São Paulo: Peirópolis, 1a ed., 2010
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8 de janeiro
(astronomy picture of the day)
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29 de dezembro
Em palavras simples, o que significa carma? Significa que o que quer que façamos com nosso corpo, nossa fala ou nossa mente terá sempre um resultado correspondente. Cada ação, mesmo a menor delas, está prenhe de suas consequências. (…) Embora o resultado das nossas ações possa ainda não ter amadurecido, ele inevitavelmente virá quando se apresentarem as condições certas. (…) Como a lei do carma é inevitável e infalível, sempre que fazemos mal aos outros estamos diretamente fazendo mal a nós mesmos, e sempre que os fazemos felizes estamos trazendo futura felicidade para nós mesmos. (…) O carma, assim, não é fatalista nem predeterminado. Carma significa a nossa habilidade de criar e mudar. É criativo porque podemos determinar como e por que agimos. Nós podemos mudar. (…) Como tudo é impermanente, fluido e interdependente, o modo como agimos e pensamos inevitavelmente muda o futuro. Não há situação, por mais que pareça desesperançada ou terrível, como uma doença terminal, que não possa ser usada para crescermos através dela. E não há crime ou crueldade que o arrependimento sincero e a verdadeira prática espiritual não possam purificar. (…) É realmente tão difícil perceber o carma em ação? Não basta apenas olhar para trás em nossas vidas para ver com clareza as consequências de alguns de nossos atos? Quando aborrecemos ou ferimos alguém, isso não veio de volta contra nós? (…) O Ocidente e o Oriente têm maneiras características de fugir às responsabilidades que advêm de compreender o carma. No Oriente as pessoas usam o carma como desculpa para não ajudar ninguém, dizendo que se eles sofrem é devido ao “carma deles”. No Ocidente, da “liberdade de pensamento”, fazemos o contrário. Os ocidentais que acreditam no carma podem ser exageradamente “sensíveis” e “cuidadosos”, e dizem que, na verdade, ajudar alguém seria interferir em alguma coisa que essa pessoa tem de “trabalhar sozinha”. Que fuga e traição da nossa humanidade! É talvez igualmente possível que o nosso carma seja encontrar um modo de ajudar. (…) Nunca devemos esquecer que é através de nossas ações, palavras e pensamentos que temos escolha. (…) Se de fato observarmos a lei do carma e despertamos em nós o bom coração, aberto para o amor e a compaixão, se purificarmos nossa mente e passo a passo despertarmos à sabedoria da natureza dessa mente, poderemos nos tornar verdadeiros seres humanos, essencialmente iluminados.
Rinpoche, Sogyal. O Livro Tibetano do Viver e do Morrer São Paulo: Talento, 12a ed., 2010
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19 de novembro
lista de coisas para depois do dia 30
. arrumar o quarto
. arrumar hds
. responder a e-mails
. ista
lista de “no que você está pensando?”
. “será que farei realmente um Romance? (…) dizer de antemão é destruir; nomear cedo demais é atrair a má sorte.”
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18 de novembro
BUM BUM BUM
PAM PUF
CRAC, CRIC
EA EA
CRAC, CRIC CRAC, CRIC CRIC
EA EA
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17 de novembro
Y) Varios
Clasificación de las interjecciones según un (muy mediocre) diccionario de palabras cruzadas (extractos):
De admiración: EH
De cólera: DIANTRE
De desprecio: BAH
De la cual se sirve el cochero para avanzar: EA
Que expresa el ruido de un cuerpo que cae: PAM
Que expresa el ruido de un golpe: BUM
Que expresa el ruido de una cosa: CRAC, CRIC
Que expresa el ruido de una caída: PUF
Que expresa el grito de las bacantes: EVOHE
Para azuzar a los perros de caza: HALA
Que expresa una esperanza frustrada: NI HABLAR
Que expresa un juramento: DEMONIOS
Que expresa un juramento español: CARAMBA
Que expresa un juramento familiar de Enrique IV: VOTO A TAL
Que expresa un juramento que expresa la aprobación: CIELOS
Que se emplea para echar a alguien: LARGO
Perec, Georges. Pensar/Clasificar Barcelona: Gedisa, 3a ed., 2008
(
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15 de novembro
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14 de novembro
(esta cadeira, nova, da loja mirage, que chegou ontem, que não é a cadeira sonho, mas que me custou dinheiro, portanto menos um ano de vida, esta sobre a qual estou sentada, sobre a qual preciso ficar sentada, horas e horas, enfileiradamente horas, horas e horas, enfileiradamente horas, e horas, enfileiradamente horas. não está torta. esta cadeira não está torta. profissionais da coluna, especialistas que me servem: revertam o fato de a minha postura subjugar uma cadeira nova em um dia. ou me confirmem: não está torta.)
a cadeira sonho: a casa própria.
(
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13 de novembro
mesa de montagem
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12 de novembro
U) El mundo como rompecabezas
Dividimos las plantas en árboles, flores y hortalizas. (Stephen Leacock)
Cuán tentador es el afán de distribuir el mundo entero según un código único: una ley universal regiría el conjunto de los fenómenos: dos hemisferios, cinco continentes, masculino y femenino, animal y vegetal, singular plural, derecha izquierda, cuatro estaciones, cinco sentidos, cinco vocales, siete días, doce meses, veintinueve letras.
Lamentablemente no funciona, nunca funcionó, nunca funcionará.
Lo cual no impedirá que durante mucho tiempo sigamos clasificando los animales por su número impar de dedos o por sus cuernos huecos.
P) Cómo clasifico
Mi problema con las clasificaciones es que no son duraderas; apenas pongo orden, dicho orden caduca. Como todo el mundo, supongo, tengo a veces un frenesí del ordenamiento; la abundancia de cosas para ordenar, la casi imposibilidad de distribuirlas según criterios verdaderamente satisfactorios, hacen que a veces no termine nunca, que me conforme con ordenamientos provisorios y precarios, apenas más eficaces que la anarquía inicial.
El resultado de todo ello desemboca en categorías realmente extrañas, por ejemplo una carpeta llena de papeles varios con la inscripción «PARA CLASIFICAR»; o bien una gaveta etiquetada «URGENTE 1» que no contiene nada (en la gaveta «URGENTE 2» hay unas viejas fotografías, en la gaveta «URGENTE 3», cuadernos nuevos).
En síntesis, me las arreglo.
Perec, Georges. Pensar/Clasificar Barcelona: Gedisa, 3a ed., 2008.
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11 de novembro
Es hora de dormir.
Cada noche me digo este poema
(que empieza)
– si empieza –
así, con este verso:
Es hora de dormir.
Es hora de escribir
con sumo esfuerzo:
¿estoy escribiendo
o estoy despierto?
Contaría todas las letras
y me arrepentiría de antemano.
Despedite del ex Galewski
y despedite del relato:
otra vez caíste.
Despedite con sorna de tu hazaña
Hasta mañana
Tampoco la locura hace pactos.
Lamborghini, Osvaldo. Novelas y cuentos. Barcelona: Ediciones del serbal. Primera edición, septiembre de 1988
(
)
10 de novembro
Não dormir. Não amanhã. Não depois de amanhã. Não sair da. Onde,
vez por outra vimos a este mesmo lugar não voltaríamos.
Elas pediram que alguém cuidasse delas. Yo no
a nadie.
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)
9 de novembro
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1 de novembro
mapa #34
(foguete sentimental)
Jurou não os procuraria → Em silêncio, para si mesmo → Que não se pode disparar pelas ruas como foguete sentimental → Essas pessoas com quem cruzamos → Descrevem inclusive como cagam → Não espalhar certas coisas → Regozijar-se com a confissão → Disfarçada com o pretexto de segredo → Segredos não contamos nem a nós mesmos → Amigos contarão a amigos → Todo foguete terá o seu palco → Essas pessoas que conhecemos → Em cinco minutos já sabemos que têm câncer → E nos fazem de melhor amigo → De cachorro vira-lata
mapa #39
(dormir junto)
Por dormir junto entenda → Dois corpos num mesmo compartimento → Dirão isso é sexo → Você não se refere a sexo mas a dormir tranquilo → Imagine dois bebês sem a mãe por perto → Uma casa pendurada num galho
mapa #19
(um apartamento de entulhos)
Que encontrasse alguém que atendesse à forma como lhe seria conveniente → Uma chave → Um apartamento de entulhos → Alguém com o apartamento vago → Talvez servisse para você → Alguém que desconhecesse os lucros, as cotações da época → Eis o apartamento → Em troca jogue tudo fora → Em troca tudo deveria ser jogado fora → Aparecerei em breve
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22 de outubro

Head of a shouting man
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21 de outubro
XXXII
Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.
E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que ele sentia, e a compaixão
Que ele dizia que sentia.
(Mas eu mal o estava ouvindo.
Que me importam a mim os homens
E o que sofrem ou supõem que sofrem?
Sejam como eu – não sofrerão.
Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros.
Quer para fazer bem, quer para fazer mal.
A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer mais é perder isto, e ser infeliz.)
Eu no que estava pensando
Quando o amigo de gente falava
(E isso me comoveu até às lágrimas)
Era em como o murmúrio longínquo dos chocalhos
A esse entardecer
Não parecia os sinos duma capela pequenina
A que fossem à missa as flores e os regatos
E as almas simples como a minha.
(Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo.
É essa a única missão no Mundo.
Essa – existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso.)
E o homem calara-se, olhando o poente.
Mas que tem com o poente quem odeia e ama?
Pessoa, Fernando. O Eu profundo e os outros Eus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p. 157.
(
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20 de outubro
mapa #1
(prevê não terá sorte)
Prevê não terá sorte → Você que jamais saía do quarto → Pilhas de cálculos de rabiscos → Não interrompidos por ninguém → Um dia você entenderia que não era o centro do mundo → Não era garantido que entenderiam → Ora, você continua o mesmo → Evitar o terceiro → O terceiro identificado com tudo → Sucumbindo de tanto se considerar falho → Desprovido de alguma coisa que outro ao lado tem → O que as pessoas buscam? → Pensemos no que tornaria o mundo mais bonito → O que espanta é que hoje em dia as pessoas andam de tal forma → Há uma série de homens movimentando-se em uma mesma direção → Exceto por → Um homem e uma mulher que não se beijam → Um homem e uma mulher percebem → Como era bom quando apenas nos batíamos → Ao lado todas as coisas → O que as pessoas buscam? → Escorrer não termina → Aqui você pode terminar
mapa #21
(que os amigos assegurassem)
Como se acreditasse é o que merece → Reencontrar aquelas pessoas em quem cuspiu → Nunca cuspiu em ninguém → Você iria atrás dos seus amigos → Tapinha forte nas costas → Este cara é um cara legal → Legal ou adjetivo com o qual esteve lutando → Depois daquelas noites → Essas pessoas se preocupariam com você → E o levariam aonde tomar banho → Roupas como novas cheirando a amaciante de ursinho → Pães e frios e um bolo recém-saído do forno → Vamos lanchar aqui → Mas, então, conta mais → Você ensaiaria um começo → Que os amigos te assegurassem que se importavam com você → Que já haviam passado por isso
mapa #22
(a pessoa é como se vê)
Um daqueles professores ou padres dizia a pessoa é como se vê → Preste atenção → Um bêbado um pensador um filósofo → A pessoa é como se enxerga → As crenças estão no corpo → Interrompê-lo perguntar como onde ele via no corpo → Não valia a pena → A conversa peso que não desejava prolongar → Talvez ele desabafava algum problema pessoal → Vamos esperar a turma chegar → Parou de pedir que esperassem → Tampouco começou a aula → Silêncio → Longo → A pessoa é como se vê → E permaneceu → Sorriso cúmplice → De quem está dizendo
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5 de outubro
mesa de montagem
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19 de setembro
XXIII
Poupem as palavras,
e tudo andará por si mesmo.
Um ciclone não dura a manhã inteira.
Um aguaceiro não dura todo um dia.
E quem os produz?
O Céu e a Terra.
Se o Céu e a Terra nada podem fazer de durável,
muito menos o pode o homem!
Por isso, se te pões a trabalhar de acordo com o Tao,
serás um no Tao com os que nele se encontram;
serás um na Vida com os que têm a Vida;
serás um na pobreza com os que são pobres.
Se fores um com eles no Tao,
alegremente, os que têm o Tao
virão ao teu encontro.
Se fores um com eles na Vida,
alegremente, os que têm a Vida
virão ao teu encontro.
Se fores um com eles na pobreza,
alegremente, os que são pobres
virão ao teu encontro.
Mas onde a fé não é bastante forte,
ali não se encontrará fé alguma.
LXXXI
As palavras verdadeiras não são bonitas,
as palavras bonitas não são verdadeiras.
A habilidade não é persuasiva,
a persuasão é destituída de mérito.
O Sábio não é erudito,
o erudito não é sábio.
O Sábio não acumula posses.
Quanto mais ele faz para os outros,
mais ele possui.
Quanto mais dá aos outros,
mais ele recebe.
O Tao do Céu “favorece sem prejudicar”,
O Tao do Sábio é “agir sem lutar”.
Lao Tsé, Tao Te Ching
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18 de setembro
mapa #3
(proles opções)
As opções em série → Se hoje refizéssemos o mesmo caminho → Nasceriam → Laura e novos transeuntes → Que nos parariam → Obrigado, agora não → Você voltou → Você repetiu → Você abandonou → Nós nos cansáramos de tentar → Não tentávamos nada → Nós nos movemos → Como se tivéssemos muitas opções → Seriam muitos os lugares → Seriam muitas as pessoas → Você andava entre → Mas escolheu → Conseguiu → Não por caridade → Nunca foi possível escolher → É difícil, com tanta possibilidade → Um limite, experimente → Entupir, obstruir → O exagero → Preenchendo pés → No bar trepando o comentário: somos animais → O homem que rodopia no supermercado → O homem de goteira no teto → Espaço para diferenças → Um condomínio → Diminuídas em confraternizações → Dinâmicas de grupo que não visem a eleger chefes
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17 de setembro
Seated Woman
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11 de setembro
mapa #5
(tardes bailarinas)
A fragilidade de um tijolo → Quisemos construir algo desejável → Desejável → A inveja se precipitara sobre o vizinho → De tardes bailarinas → De melhor fase → A felicidade não era contra o paralelepípedo → Não era o circo chegou à cidade → O vizinho estava pela primeira vez à vontade em casa → Ajudando senhorinhas → Mas saquearam o abraço → Aquele que se fincou na outa margem → Sem necessidade de sobrenomes ou direcionamento de falas → Depois seria excessivo levantar → Voltar → O rosto contra o paralelepípedo → O vizinho lamentava ter acreditado → Ele que era tão precavido → Cairia ainda que → O terreno, o seu corpo, todos o ajudassem → Ora vamos → E todos já duvidavam da própria fé → Desmoronou, naquele dia → Em cinco, dez minutos → A mão no fogo queimará → Falamos muito → É que não estávamos prontos para provar nada
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30 de agosto
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Segunda grade de mentirinha.
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29 de agosto
mapa #2
(pêndulo)
O pai pendula um brinquedo na mão → Brinquedo-utilidade, brinquedo-discernimento → Confeccionado em uma reunião, como aquela de sexta → E enquanto se dirigisse para a sala → Você disse que sabia; agora seria o momento → A filha e o jogo das largadas → A criança quer o movimento → Sempre há quem veja uma criança chorar → Desde quando para ser pai é necessário talento → Ora, vamos, aqui está o boneco → Está tudo bem, bonequinho, cuidarei de você → A criança quer o movimento → O pai tem na mão algo disforme → Esse pedaço de alguma coisa → A criança quer o disforme → A criança quer o boneco → Uma vez eu estava com a minha filha no parque → Vou dá-lo para a sua amiga → Não permitiria que a filha se tornasse igual à sua esposa → Se disser sim, será aceito → Não → Você é o pior pai do mundo → As geografias assinalavam as impotências → O problema do meu marido → Você era mole demais → No início, a princesinha do papai → Decidiu daria o brinquedo para a amiga → Amiga sem preocupações com brinquedos → Sua mãe tinha um emprego → E esta outra mãe? → O pai segue em direção à amiga: é para você → O seu pai me deu seu pai deu pra mim → A criança fala mal da amiga → A criança fala mal de outra criança → Mas já ciente de que se deve evitar sinceridade em excesso → Os gritos são privados → A menina falará mal da amiga → Começará pelas qualidades → Ciente de onde deveria estar isto e aquilo
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24 de agosto
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sobre o fragmento #38:
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17 de agosto
mapa #9
(você estará lá)
Os amigos num almoço de domingo → Precisavam comemorar → Havia a felicidade e a infelicidade → Você, uma aparição → Aquele caso insólito → As geografias assinalando as impotências → Não se ouvem os profetas da nossa época → Você, objeto inútil → A pergunta que não fez → As festas de carnaval → Não era carnaval → Mas haveria bebida e comida para todos → E palmas para a empregada → Falariam → Fulano estava na porta → Venha ver quem está aqui → O dono vesgo → Você entrará → Ao lado, o sorriso frouxo → E palmas para ele → Nós nos sentíamos à vontade → O porteiro nos informou que eles estavam aqui → Concluímos que poderíamos voltar → Haveria razão para que nunca mais voltássemos? → Em determinado momento, ele saiu → Ao seu lado havia um homem desses que nunca dizem nada → Explicamos às nossas esposas → Você, rodeado por nós → A esta altura → Que altura? → O porteiro me dissera que eles estavam reunidos → O pai faleceu, você teria falecido → Eu estive em: sim, por todos esses lados → Por que agora, por que aqui e não em outro lugar? → Você desejará reclamar até que se lembre de quando estavam reunidos → Vocês, os amigos → De consciência limpa → Abraços e Porra! → Sete caixas de cerveja vazias
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12 de agosto
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2 de agosto
mapa # 4
(as desilusões vizinhas)
O terceiro decidindo sua vida com base em desilusões vizinhas → Os limites entre o seu e o do vizinho → Linha de demarcação → O que uma linha não barra → As desilusões: a aposta de peito inflado → As apostas dos outros → O terceiro decidindo a vida com base em desejar não se iludir novamente → Planos matemáticos para que não novamente → E a grande parte dos filmes cult vendáveis de amor é trágica → O positivo e o negativo de mãos dadas → Um amor de opostos → Romeu e Julieta → Famílias inimigas, causas e objetivos → Você está pronto para dizer? → Tortura até que pronto para dizer → Até que implore por favor → E se pode escolher entre as impossibilidades de amor → E aquela do apartamento → A do caixão → Ele, Ela, variantes → Inscrever num outro corpo as impossibilidades → Uma rotina de loucuras, um encadeamento de surpresas: bocejo → De tal forma seria melhor → Ghost → Unchained Melody → Covers de Unchained Melody → Por trás da câmera → Horas de filmagem, sanduíche, trajetória da atriz, discórdia entre produtor e diretor, entre diretor e interlocutor → A cena → Titanic → Rose não foi Julieta → Interpretar um personagem → Nenhum é menos caricato → Possibilidades de amar e não ser correspondido → Acreditar que se vive a melhor fase da própria vida → O vizinho ostentando felicidade → Pouco precavido quanto à inveja → Para invejar, é preciso força → Você passava ali por acaso, chamaram-no para que contasse como vai a vida → Interrompem o que diziam → Conte o dia de hoje → O interlocutor não o inveja
mapa # 8
(o homem de barro)
Entre essas convicções, um homem parado → Como era o homem → A opinião da massagista → A opinião dos mestres espirituais → Não se pode afirmar → A opinião de que aquilo lhe convinha → Ao redor, noite e dia; guerra e paz → O homem virou mito → Opinião de alguns: um tipo distinto de estátua → Os exames estavam perfeitos → A ciência deveria descobrir → O homem, o Senhor → O impacto com um muro → Um caixote despencando do prédio → Os suicidas → Os pedidos desesperados de perdão → O homem, o culpado → Os maiores crimes da terra encontravam o culpado → Que o removessem para um presídio capaz → Amplo o suficiente para suportar a profusão de jornalistas → O homem implodido → O homem pó → O homem selvagem → O cerco ao homem → Cerco e lista vip → O homem, um evento → O homem, um direito → Um homem como nós → Não → Um estranho na sua casa → O homem transformado
mapa # 42
(eu nunca pensei que)
Eu nunca pensei que → As surpresas da vida → O aniversário de Beltrano → Beltrano passou o resto da vida tentando resgatar aquele dia → O legal da surpresa: as pistas → A frustração de acreditar que haverá quando não há → O criminoso por não socorrer acidentados → A recompensa a quem espera → A punição a quem espera → Não esperar para que as coisas venham → Pedir um sinal → Os pequenos movimentos são imperceptíveis → Da grande depressão à descoberta de um motivo → Eu ja estive no seu lugar → O seu professor de histórico → O xadrez, o pôquer → Repetir com menos euforia, como se preso a uma reflexão distante → Esperar o tempo necessário → Perguntarão se podem perguntar o que aconteceu: claro que sim → É que → Diálogo entre o que sorri e o que busca motivo
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26 de julho
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23 de julho
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Vinha com dores fortes de cabeça.
De pensar. Dores de pensar. Cheguei ao ponto de não suportar tanto pensamento.
O pensamento dói. Não me refiro a pensar coisas que doem. Mas à produção ininterrupta de pensamento. Produção que, além do mais, manivela os círculos viciosos; falta criatividade nisso.
As dores diminuíram bastante de uns tempos para cá. Está certo que, desde o fim do Stilnox, adio o novo indutor de sono. Resolvi aceitar este horário de dormir. Avesso à girândola dos nomes. Tenho funcionado bem.
A taxonomia das dores se intimida; o sono se torna possível quando não penso.
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20 de julho
Se não soubesse que soltavam gritos na casa talvez eu não os tivesse ouvido. Mas, sabendo, ouvia-os bem. Não sabia ao certo onde estava. Procurei, entre as estrelas e as constelações, pelas Ursas, mas não consegui encontrá-las. No entanto deviam estar ali. Foi meu pai o primeiro a mostrá-las para mim. Ele tinha me mostrado outras constelações, mas sozinho e sem ele eu só consegui encontrar as Ursas. Comecei a brincar com os gritos um pouco como eu tinha brincado com a canção, avançando, parando, avançando, parando, se é que isso pode ser chamado de brincar. Quando andava, não os ouvia, graças ao ruído dos meus passos. Mas assim que parava ouvia-os de novo, cada vez mais fracos, certamente, mas que diferença faz se um grito seja fraco ou forte? O que é preciso é que ele pare. Durante anos acreditei que iam parar.
Beckett, Samuel. Primeiro amor São Paulo: Cosac & Naify, 2004.
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19 de julho
detalhe de The nightmare
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17 de julho
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frag. 4 (10.07). o objeto conforme o observador//desilusões dos heróis de romances europeus//uma rotina de loucuras, um encadeamento de surpresas frag. 8 (13.07). ler mais sobre a história de she-ra; contá-la com suas próprias palavras// e as revistas estampavam que se descobrira o culpado → e o culpado é:// os testes com luminol, de dna, as impressões digitais → métodos policiais//crimes hediondos, crimes inafiançáveis//pode-se estar sem roupa por inúmeras razões → razões para estar sem roupa frag. 42 (12/07). quem não faz, leva; Alemanha Copa 2010; outros exemplos//o que é uma “surpresa”?
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15 de julho

Death seizing a woman
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14 de julho
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Imprimi os fragmentos 4, 8 e 42 para ler.
Mal consigo ir adiante. Texto se abrindo se abrindo se abrindo.
Talvez o movimento seja o de trabalhar cada uma dessas lexias.
(E não seguir abrindo abrindo abrindo.)
O total se divide atualmente em 46. Agrupá-lo em oito ou dez.
Impossível não estudar música neste semestre.
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Niña con máscara de muerte
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11 de julho
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5.03. rever taxi driver (cena espelho)// verificar textos sobre boas ações; pensar “boas ações” cotidianas//rever martha, louca obsessão; reler primeiro amor 7.03. o segredo dos seus olhos: reviravoltas (previsíveis); caso de amor estapafúrdio e impossibilitado por nada; obsessão com x que deixou parado no tempo// fim de semana: meus pais dizem é mais difícil sobreviver em outro país quando não há a quem pedir ajuda (passaram fome na itália)// lost: pensar estruturas de tempo// alemão: lembrar de verbo no fim, prefixo que se decompõe, formação de palavras (dornacabeça no lugar de remorso)//rever regras do war//obras sobre a morte//coisas que todos burlam 08.03 movimentos física//kafka, o processo; rever filme//crianças que não são dóceis//freud sobre as crianças (e os que contrariam freud) 10.03 o limite entre previsão e medo//o jogador//filmes de amor (variações de ponto de vista)//a loucura// reler o conto do machado sobre vidente 19.03 as maiores barbas de todos os tempos 01.04 processo de educação infantil; até os 5 anos, na escola
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9 de julho
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8 de julho
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Noite de sono: duração: 2h.
Não quis tomar o Stilnox; desconfio de que seja o responsável pela dor de cabeça.
Preguei os olhos de manhã. Quase na hora da neurologista.
Que me passou um novo indutor de sono.
Chegou a pensar em ritalina — atenta às minhas queixas sobre concentração.
Mas estava sem a receita.
Paguei a taxa de inscrição da Villa-Lobos. As aulas começam em agosto.
Pessoas da minha idade cursam à noite. Não sei ainda a hora.
Gostaria de definir logo. As horas o quanto antes.
Pensei em começar a dormir por volta das 3h. Escrever à noite.
Para me organizar, vale uma grade. Algo como.
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